Sábado, Janeiro 02, 2010

Ao esvaziar o meu coração, a Lua era cheia e a última do ano. Nas comportas tinha palavras entaladas. Como pode o coração encher-se de novo de luz limpa, com sombras antigas engasgadas?
Enquanto te ia falando fui invadida de paz.  Ganhei ao orgulho, à mágoa, e às tuas fraquezas. Creio agora que não há nada que nos faça mais divinos do que o perdão.

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

A. A ti empresto-me sem contrato sem prazo. Sem garantias. Queremo-nos voluntários.

Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

Outra X


A felicidade, tal como a luz é um momento fugaz , instável, rápido e luminoso. E pode cegar.
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Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Para onde?




O ponto de partida, prévio a nós, foi há muito. As Serras que atravessamos, o vale, sem darmos conta, é só parte do caminho, nem começo é. Nem começo foram os raros momentos de anos atrás decorados, entre tantos outros momentos com outras pessoas esquecidas em iguais circunstâncias.

Estranhamente reconhecemo-nos, como se isso não tivesse importância nenhuma. “O que tiver de ser, será”, frase tão irracional como este reencontro, porque já te conhecia. Não me lembro de onde, de há quanto tempo atrás. Podes achar tolice, tentar justificar com cálculos, estatísticas, e teorias, e até chamar-me de tonta, ainda assim pergunto, qual a probabilidade?
Vi a Lua cair antes da queda, e tenho em tela o que ainda não tinha visto. A música que se ouviu, era ali que pertencia. E tu , estranho e familiar, estavas correcto, a meu lado, para a beleza não me doer, só magnificência como dantes.
Já nos conhecíamos duas vezes antes de nos conhecermos, uma antes de tudo ser em nós existência e inventado, e outra porque nos sabíamos no que fomos escrevendo. Entre as trivialidades do dia, como dizer-te isto que só te posso dizer com os olhos? Já te conhecia mas não te conheço. A mesma sensação de se fazer um caminho pela segunda vez mas passado muito tempo, as árvores cresceram, as bermas de estrada, têm mais casas, e a ponte já devia estar a aparecer mas demora.
Como aceitar explicações de mim mesma, sobre algo tão incompreensível, e simples? Se és como todas as coisas simples que não compreendemos, como a vida, o escuro sem fim do Universo ou o começo das coisas? Inexplicável, estranhamente essencial.
Este afecto é absurdo, não nasce de onde nascem os normais afectos, nasceu antes de nós, e como é absurdo, é fruto de um “acaso” anterior, planeado, (e decerto que o plano foi furado uma vez que foi levando tempo), que nos precipitou para nós. Receio, por tomar como essencial o absurdo. E no entanto, absurdo, é uma palavra como dois sinónimos, contraproducente e fantástico.
Nas encruzilhadas e bifurcações, as dúvidas, as hesitações, e tantas vezes os desvios. Todas as alternativas de itinerário teriam um mesmo ponto de encontro, de reencontro.

“Desde a vulva inicial, o homem é só o caminho. Para onde? Eis o que não sabemos. Mas será caso para perguntar?” Eugénio de Andrade.